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Emiliano Zapata

Emiliano Zapata

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Publicado agosto 14, 2024

Quando transito pelas salas de cinema dos Centros Educacionais Unificados (CEUs) da cidade de São Paulo, sempre fico com a sensação de que estou fazendo a coisa certa, de que por meio do audiovisual podemos, sim, transformar a sociedade de alguma forma. Ver os olhos das crianças brilhando, enxergando um futuro para muito além de suas realidades nas telas das salas de cinemas dos CEUs, é uma forma de ampliar as lentas da inclusão e do acesso nessas regiões.

Falar sobre democratização da cultura em territórios periféricos, vai muito além de desenvolver ações pontuais nesses lugares, pois essas políticas públicas devem ser contínuas, o ano inteiro, e é importante frisar que, sim, o setor cultural é um importante vetor de transformação para uma sociedade mais digna e fraterna. E é importante ressaltar que não podemos falar em justiça audiovisual sem desenvolvermos estratégias a longo prazo. Ações pontuais de governos não são capazes de mudar realidades. O impacto que queremos causar hoje, deve também contemplar as futuras gerações.

Em 2020, dados do Observatório Itaú Cultural revelaram que a economia da cultura e das indústrias criativas (ECIC) do Brasil movimentaram R$230,14 bilhões, equivalente a 3,11% do Produto Interno Bruto (PIB), superando até mesmo outros setores importantes da sociedade, como o automotivo. Isso mostra o quanto o setor cultural tem papel fundamental nas ações que queremos plantar para colher a longo prazo.

Para além do acesso, ainda paira no entendimento popular que a sétima arte é muito glamourizada e uma coisa para/da a Elite. Desmistificar isso também é um desafio. Um desenvolvimento horizontal de um país, passa pela régua da acessibilidade e inclusão, já assegurados pelo Art. 5º, da Constituição da República Federativa do Brasil de 1988 (CFRB/88).

Quando digo que precisamos ampliar as lentas da inclusão e do acesso, digo isso com enfoque numa população carente, que não consegue frequentar grandes shoppings para assistir filmes das grandes indústrias cinematográficas ou não conseguem pagar mensalidade em plataformas de streamings. A justiça audiovisual tem a ver exatamente com isso: com estratégias para subverter essa lógica de exclusão.

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