Muitos ainda encaram o streaming como uma terra que mana leite e mel. Tratam seu crescimento como permanente, ilimitado, inquebrantável. Ledo engano. A transmissão de vídeos pela Internet é uma atividade comercial como outra qualquer. Como tal, está sujeita às mudanças de comportamento dos consumidores, mudanças essas que, muitas vezes, podem ser desfavoráveis às empresas.
O streaming está longe de ser uma novidade. A Netflix, por exemplo, entrou nesse segmento em 2007, ou seja, há 14 anos atrás. Mas foi só agora, graças à pandemia de covid-19, que o video on demand começou a viver sua era de ouro. A necessidade de isolamento social fez com que parte relevante da população ficasse mais em casa, ampliando o tempo disponível e forçando a aquisição de novos hábitos. Na esteira da tragédia, muitos negócios nasceram e cresceram. Mas agora que a vacinação avança nos principais mercados globais, o streaming entra em uma nova era: a da consolidação.
São vários os sinais de que essa era da consolidação já vigora. Em primeiro lugar, o consumo de vídeo sob demanda já está amplamente disseminado. Segundo a Comscore (1), 96% dos internautas brasileiros acessam algum serviço de OTT. Cabe ressaltar que tal percentual inclui o líder inconteste da categoria, YouTube. Além disso, é notória a redução na quantidade de lançamentos de plataformas. Em dado momento, houve uma espécie de engarrafamento de novos serviços, com poucos dias separando as novidades. Por fim, tornou-se mais frequente a oferta de descontos, indo além dos tradicionais combos. Em meados deste mês de setembro, por exemplo, dois grandes players anunciaram promoções: o Telecine (2), com seu “Assista 4 e Pague 2”, e a Paramount+ (3), que, por tempo limitado, cortou pela metade o preço do seu plano anual.
Mas o que significa consolidação? Crise? Saturação? Ocaso? Prenúncio do fim? Nada disso. Quer dizer apenas que o video on demand se firmou e terá que aprender a manter-se não apenas diante da acirrada concorrência com outros meios, mas também da competição com outras atividades que ocupam a rotina do público, como encontros sociais, deslocamentos para o trabalho e idas ao cinema, por exemplo.
Todo mercado já viveu sua era de ouro. Trata-se de uma fase em que tudo é belo e novo, a expansão parece eterna e qualquer pequena ação é vendida como revolucionária ou, como alguns insistem em dizer por aí, “disruptiva”. Isso não seria diferente com o streaming. Cabe agora às incontáveis empresas que entraram nesse setor permanecerem relevantes para as pessoas, dando-lhes motivos suficientes para ficarem com os olhos na tela, e não na vida que, aos poucos, parece retomar seu rumo.
Para vencer na era da consolidação, não basta ser pioneiro ou ter ido bem na era de ouro. É preciso reinventar-se constantemente. No caso do mercado de comunicação, onde o vídeo sob demanda se insere, é preciso também oferecer a melhor tecnologia e, sobretudo, o conteúdo mais interessante, pois é ele que, de fato, atrai e retém consumidores.
Links – Referências:
Comscore (1) – https://www.comscore.com/por/Insights/Blog/O-mercado-de-OTT-Video-Content-no-Brasil
Telecine (2) – https://www.comscore.com/por/Insights/Blog/O-mercado-de-OTT-Video-Content-no-Brasil
Paramount+ (3) – https://adnews.com.br/paramount-anuncia-assinatura-pela-metade-do-valor/