Mercado

Mais identificação e menos sexo: pesquisa inédita aponta critérios dos adolescentes na hora de escolher filmes

Levantamento foi idealizado pela cineasta Caroline Fioratti e feito pela produtora Haikai Filmes

Redação
Redação
Publicado junho 11, 2025

Uma pesquisa inédita sobre o consumo de filmes por adolescentes apontou que, diferente do esperado, essa geração não está em busca de produções que falam de sexo e festas, mas sim que retratam identificação, representatividade e questões sociais. Intitulada de Escutar para Criar – Pesquisa de Público: Cinema para o jovem, a pesquisa objetiva investigar os tipos de histórias que os jovens desejam ver, de maneira a se sentirem representados nas produções audiovisuais – e refletindo no consumo de novas obras.

O trabalho foi realizado pela produtora Haikai Filmes, em parceria com a Secretaria de Cultura do Estado de São Paulo, e idealizado por Caroline Fioratti, cineasta de Meus 15 Anos (2017) e Meu Casulo de Drywall (2023).

“A nossa pesquisa buscava uma postura ativa dos jovens com perguntas que exigiam uma reflexão sobre a sua própria subjetividade. Quando vemos que ‘amizade’, ‘saúde mental’ e ‘relacionamentos amorosos’ estão no topo da lista de temas de interesse e ‘redes sociais’ e ‘sexo’ no final, temos uma indicação do desejo que eles têm por conexões humanas reais e talvez uma sensação de falta e solidão, já que subtemas como ‘ansiedade’, ‘depressão’, entre outros adoecimentos mentais foram citados também”, ressaltou Fioratti.

A pesquisa foi feita através de uma amostragem com 533 participantes que possuem entre 16 e 19 anos, sendo divididos em: 16 (45,2%), 17 (38,8%), 18 (15%), 19 (0,9%). As regiões do Brasil consideradas foram Vale do Paraíba, Centro-Oeste, Norte, Centro-Sul, Grande São Paulo, Capital e Litoral, sem especificar as porcentagens.

Brancos são 50,8% dos participantes, 13,7% são pretos e 32,1% são pardos. Na orientação sexual, a divisão ficou: heterossexuais (76,5%), bissexuais (10,3%), homossexuais (2,4%), enquanto Prefiro Não Responder, Outro e Prefiro Não me Classificar somam 10,6%.

O formulário desenvolvido pela equipe mapeou desde dados concretos relacionados aos hábitos de consumo até informações subjetivas sobre sensações e emoções que os adolescentes procuram ter ao assistir um filme.

Como citado, temas relacionados com representatividade estão entre os mais buscados pelos adolescentes. A pesquisa atribuiu pontos, de 1 a 5, para os temas de interesse:

  • – Representatividade racial: 3,317
  • – Desigualdade social: 3,285
  • – Empoderamento feminino: 3,180
  • – Revolução tecnológica e IA: 3,058
  • – Valorização da cultura regional: 3,030
  • – Violência urbana: 2,829
  • – Valorização dos povos originários: 2,771
  • – Mudanças climáticas: 2,726
  • – Visibilidade LGBTGIA+: 2,674

Por outro lado, quando perguntados sobre os assuntos tratados e o que gostariam de ver nos filmes, temas como saúde mental e amizade são muito mais buscados do que sexo, por exemplo:

  • – Amizade: 3,700
  • – Saúde mental: 3,570
  • – Relacionamento amorosos: 3,467
  • – Sonhos e aspirações: 3,450
  • – Família: 3,381
  • – Estudo, profissão e carreira: 3,326
  • – Viagens e estilo de vida: 3,253
  • – Mitologia: 3,156
  • – Religião e espiritualidade: 2,942
  • – Imagem corporal: 2,899
  • – Redes sociais: 2,715
  • – Sexo: 2,480

Em complemento a tais preferências, os jovens também responderam (com opção de múltiplas escolhas) o que levam em consideração na hora de escolher um filme. 43,3% esperam refletir as emoções do momento, seguido por 35,3% que escolhem o filme por personagens que se pareçam com eles. Não muito atrás, 31% escolhem filmes que ajudem a dar um respiro na realidade que vivem, mas, em contrapartida, 24,2% optam por longas que abordam suas próprias realidades.

Diferente do senso comum, somente 29,1% usam as redes sociais como critério de escolha, enquanto apenas 21,2% consideram as sugestões no menu do streaming. Há ainda a relação com a amizade, com 15,9% escolhendo a opção “que os meus amigos querem ver”.

Os gêneros cinematográficos também foram abordados, com cada participante sendo obrigado a escolher duas opções, de modo que a soma total ficasse em 200%. Os mais procurados, como esperado, foram terror (34,7%), comédia (34,1%) e ação (34%). A surpresa fica pelo romance, em quarto lugar com 30,4%.

Por outro lado, os gêneros menos escolhidos foram as biografias (0,9%) e os documentários (2,3%).

Por fim, a pesquisa também revelou que 75,6% gostam de filmes nacionais, mas apenas 45,2% assistem filmes nacionais no cinema. O dado que mais chama atenção em relação às idas às salas escuras, entretanto, é que 31,1% vão apenas uma vez ao ano (ou nenhum), enquanto 62,5% vão até cinco vezes.

Outros números relevantes da pesquisa:

  • – 75% dos entrevistados acha que a maioria dos filmes retrata o jovem de forma estereotipada;
  • – filmes americanos geram maior envolvimento em 64% dos jovens entrevistados;
  • – a maioria dos jovens relata dificuldade para encontrar filmes brasileiros disponíveis;
  • – 82% dos adolescentes demonstram interesse por filmes em que os personagens vivenciam situações que gostariam de experimentar;
  • – quase metade dos adolescentes afirma não se identificar com os filmes que assistem.
Redação
Redação

Avalie este post

Clique na medalha e deixe sua avaliação