Em 2024, 54 dos 100 filmes de maior bilheteria apresentaram mulheres como protagonistas ou co-protagonistas, superando pela primeira vez a proporção de 50,5% de mulheres na população dos EUA. Este marco é atribuído a esforços conjuntos de grupos de defesa, estúdios e iniciativas de diversidade, equidade e inclusão. As informações são do Variey.
Durante o evento Women in Film, organizado pela Universidade de Oxford, a Dra. Stacy L. Smith divulgou os resultados do estudo que foca no progresso das mulheres em quatro áreas de interesse: como diretoras de cinema globais em 11 países, em festivais de cinema em seis países, como premiadas (para diretores, roteiristas e produtores no Oscar, BAFTA e César Awards) e como executivas de cinema (em estúdios, distribuidoras e subsidiárias nos EUA, Reino Unido e França).
O estudo considerou longas-metragens que arrecadaram US$ 1 milhão nas bilheterias globais e foram produzidos em 11 países (Austrália, Canadá, França, Alemanha, Índia, Itália, Japão, Coreia, Nova Zelândia, Reino Unido e Estados Unidos). Um total de 4.532 filmes foram avaliados, assim como o gênero de 4.991 diretores.
Embora nenhum país tenha chegado perto de atingir a meta global de 50% da população, os três países com a maior porcentagem de mulheres diretoras foram Alemanha (18,7%), Reino Unido (18,5%) e Austrália (18,3%). Os países com a menor porcentagem foram Índia (4,9%), Japão (4,7%) e República da Coreia (9,1%).
Apesar da melhora nos números, a representação feminina na direção de filmes permanece desproporcionalmente baixa. Apenas 11% dos diretores dos principais filmes de 2024 eram mulheres, evidenciando uma disparidade persistente nos bastidores da indústria cinematográfica.
Além disso, a representação de pessoas não-brancas protagonistas caiu de 37% em 2023 para 25% em 2024, indicando desafios contínuos na promoção da diversidade racial e étnica nas narrativas cinematográficas. A porcentagem de mulheres negras em cargos de direção (5,7% em 2024) dobrou na última década (2,5% em 2015), mas o número ainda está na casa de um dígito.
Em plena semana de Cannes, vale lembrar que o festival contou com apenas 21,6% de filmes dirigidos por mulheres. Sundance apresentou a maior porcentagem de diretoras (34,7%), seguido por Berlim (30,3%), Toronto (29,4%), Londres (25,9%) e Veneza (20,5%).
“No geral, os resultados revelam que as mulheres encontraram maneiras de mostrar seu talento para contar histórias em diversos lugares, mas ainda são sub-representadas em relação aos homens”, conclui o estudo.
Embora haja progresso na frente das câmeras, é crucial ampliar os esforços para garantir uma representação equitativa também nos bastidores, promovendo uma indústria cinematográfica mais inclusiva e diversificada.